Mandantes venceram 48,39% das partidas do Brasileirão analisadas; Série B aparece em segundo entre os campeonatos nacionais, acima da média geral de 44,55%
Jogar em casa costuma ser considerado uma vantagem no futebol. Mas em quais campeonatos essa condição aparece com mais frequência no resultado?
Na base do Lab do Esporte, a Série A do Campeonato Brasileiro lidera o ranking de vitórias dos mandantes entre as ligas nacionais analisadas.
Em 1.058 partidas do Brasileirão, os donos da casa venceram 512: 48,39% dos jogos. A Série B aparece logo atrás, com 518 vitórias dos mandantes em 1.081 confrontos, ou 47,92%.
As duas competições superam a proporção geral da base, de 44,55% de vitórias dos mandantes, considerando todos os campeonatos. Na Série A, a diferença é de 3,84 pontos percentuais. Na Série B, de 3,37 pontos.
Em uma tradução para cada 100 partidas, são aproximadamente 48 vitórias dos donos da casa nas duas divisões brasileiras, contra cerca de 45 no conjunto da base.
O levantamento do Lab do Esporte reúne 26.950 partidas de 34 competições ao redor do mundo, disputadas entre 2024 e 16 de outubro de 2026.
Brasil à frente de Espanha e França
Depois das duas divisões brasileiras, o terceiro maior percentual entre as ligas nacionais pertence à Besta deild, da Islândia: 47,27%. Na sequência aparecem a La Liga, da Espanha, com 46,54%, e a Ligue 1, da França, com 46,47%.
Veja o top 10 das ligas nacionais no levantamento:
| Campeonato | Jogos analisados | Vitórias dos mandantes | Percentual |
|---|
| Série A — Brasil | 1.058 | 512 | 48,39% |
| Série B — Brasil | 1.081 | 518 | 47,92% |
| Besta deild — Islândia | 476 | 225 | 47,27% |
| La Liga — Espanha | 838 | 390 | 46,54% |
| Ligue 1 — França | 665 | 309 | 46,47% |
| Eliteserien — Noruega | 653 | 303 | 46,40% |
| HNL — Croácia | 493 | 226 | 45,84% |
| Süper Lig — Turquia | 910 | 414 | 45,49% |
| Segunda División — Espanha | 1.034 | 470 | 45,45% |
| Ekstraklasa — Polônia | 840 | 378 | 45,00% |
Fonte: base do Lab do Esporte. Percentuais calculados pela divisão das vitórias dos mandantes pelo total de jogos de cada competição.
A distância entre a Série A e a Ekstraklasa, décima colocada, é de 3,39 pontos percentuais. Todos os campeonatos desse recorte ficam acima dos 44,55% registrados no conjunto da base.
Apesar da liderança brasileira, os mandantes venceram menos da metade das partidas em todas essas ligas. Isso significa que, somados, empates e vitórias dos visitantes foram mais frequentes do que os triunfos dos donos da casa.
Champions lidera quando entram os torneios continentais
O ranking muda quando as competições continentais entram na comparação. Nesse caso, quatro torneios continentais assumem as primeiras posições no ranking.
A Champions League assume a primeira posição, com 212 vitórias dos mandantes em 414 partidas, equivalentes a 51,21%.
A Conference League aparece em segundo, com 50,77%, seguida por Libertadores, com 49,89%, e Europa League, com 49,76%. Só depois surgem as duas divisões brasileiras.
| Competição | Jogos analisados | Vitórias dos mandantes | Percentual |
|---|
| Champions League | 414 | 212 | 51,21% |
| Conference League | 323 | 164 | 50,77% |
| Libertadores | 459 | 229 | 49,89% |
| Europa League | 414 | 206 | 49,76% |
| Série A — Brasil | 1.058 | 512 | 48,39% |
| Série B — Brasil | 1.081 | 518 | 47,92% |
| Besta deild — Islândia | 476 | 225 | 47,27% |
| La Liga — Espanha | 838 | 390 | 46,54% |
| Ligue 1 — França | 665 | 309 | 46,47% |
| Eliteserien — Noruega | 653 | 303 | 46,40% |
Fonte: base do Lab do Esporte.
Champions e Conference são as únicas competições desse top 10 nas quais os donos da casa venceram mais de 50% das partidas analisadas.
A leitura dos torneios continentais, porém, exige atenção ao formato e à composição dos confrontos. Eles reúnem equipes de países e níveis competitivos distintos, além de fases com regras diferentes.
Por exemplo: o Kairat Almaty, do Cazaquistão, perdeu todas suas partidas como visitante na temporada 2025/26 da Liga dos Campeões, nas rodada da fase de liga. Apesar de marcar gols em todas essas partidas e vender caro as derrotas, o time cazaque acabou derrotado para Sporting (4 a 1), Inter de Milão (2 a 1), Copenhagen (3 a 2) e Arsenal (3 a 2).
Por isso, separar as ligas nacionais oferece outro recorte para a comparação — embora também existam diferenças de força entre os clubes de cada país.
O que significa ser um campeonato “caseiro”?
Neste levantamento, o termo “caseiro” tem uma definição objetiva: a frequência com que o time registrado como mandante venceu a partida.
O indicador descreve os resultados, mas não mede sozinho quanto jogar em casa aumentou a chance de vitória. Para isolar esse efeito, seria necessário considerar fatores como a força das equipes, os adversários enfrentados e o desempenho dos mesmos clubes fora de casa.
Também não é possível atribuir a liderança brasileira exclusivamente à torcida, às viagens ou à familiaridade com o estádio. Esses fatores podem ser investigados, mas a tabela não permite determinar o peso de cada um.
Há ainda uma distinção importante: mandante não significa necessariamente atuar no próprio estádio. Jogos em campo neutro ou com mando transferido precisam ser identificados separadamente para uma análise específica sobre o efeito do local da partida.
Um retrato dos jogos analisados
Os percentuais representam as partidas registradas na base do Lab do Esporte. As amostras têm tamanhos diferentes e não devem ser interpretadas automaticamente como o retrato completo de cada competição ou como uma previsão para os próximos jogos.
Diferenças pequenas também pedem cautela. La Liga e Ligue 1, por exemplo, estão separadas por apenas 0,07 ponto percentual. Essa proximidade não sustenta, por si só, uma conclusão de que uma competição tenha uma vantagem de mando maior do que a outra.
O destaque do levantamento está na presença das duas principais divisões brasileiras no topo das ligas nacionais: nos jogos analisados, Série A e Série B foram os campeonatos em que a vitória do mandante apareceu com maior frequência.