ESPORTE
COM VALOR
← Página inicial

Bets: 66% dos pequenos negócios apoiam proibição, aponta Sebrae

Por Bruno Favoretto · 21/10/2026

Bets: 66% dos pequenos negócios apoiam proibição, aponta Sebrae

Pesquisa com 1.028 empresários mostra que 26% associam queda no faturamento às apostas online; resultados retratam a percepção dos entrevistados

A proibição das bets tem o apoio de 66% dos pequenos negócios ouvidos em uma pesquisa do Sebrae. O levantamento também mostra que 26% dos entrevistados atribuíram às apostas online uma redução no faturamento nos últimos 12 meses.

O estudo reúne respostas de 1.028 empresários e apresenta uma dimensão do debate que vai além dos patrocínios esportivos: a percepção de que o dinheiro destinado às apostas reduziu o consumo no comércio e nos serviços.

Entre os participantes, 57% se disseram totalmente favoráveis à proibição e 8,8%, parcialmente favoráveis — percentuais que, arredondados, resultam nos 66% divulgados pelo Sebrae. Outros 23,5% declararam posição contrária à medida.

Um em cada quatro associa bets à perda de faturamento

Embora 26% tenham relacionado as apostas à queda nas receitas, 51% não identificaram efeitos diretos sobre o negócio. Outros 23% disseram não saber avaliar o impacto, enquanto 0,2% relataram ganhos com o segmento.

Os números representam a avaliação dos empresários. O levantamento divulgado não quantifica quanto as empresas deixaram de faturar nem permite estabelecer, isoladamente, uma relação de causa e efeito entre apostas e redução nas vendas.

As mudanças percebidas no comportamento dos clientes ajudam a detalhar essa avaliação. Segundo a pesquisa, 48% identificaram pelo menos uma alteração relacionada às bets.

A redução do dinheiro disponível para consumo foi mencionada por 33% dos entrevistados. Outros 18% apontaram aumento da inadimplência ou atrasos nos pagamentos, 11,5% observaram maior procura por parcelamento ou fiado e 10% perceberam substituição por produtos mais baratos.

Na avaliação do presidente do Sebrae, Décio Lima, parte dos recursos antes destinada ao comércio local migrou para as apostas, comprometendo o orçamento das famílias e o caixa dos pequenos negócios.

Empresários relatam efeitos sobre funcionários

Entre os empreendimentos com funcionários, 40% disseram que suas equipes foram afetadas pelas apostas online.

Nos comentários analisados pelo Sebrae, apareceram relatos de endividamento, pedidos frequentes de adiantamento salarial, apostas durante o expediente e queda de produtividade. Também foram mencionados problemas de sono e episódios de desfalques financeiros.

Esses relatos integram a parte qualitativa do levantamento. A divulgação não informa a frequência de cada situação entre as empresas participantes.

Para 38%, proibição pode aumentar vendas

A expectativa de melhora no faturamento aparece nas respostas de 38% dos entrevistados. Outros 42% acreditam que as vendas permanecerão iguais e 0,6% preveem queda.

A projeção indica uma expectativa dos empresários, sem representar uma recuperação já registrada no caixa das empresas.

A pesquisa foi divulgada no contexto da MP 1.394/2026, que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no Brasil. A medida abrange apostas sobre eventos esportivos e jogos online.

Quem participou da pesquisa

A amostra é formada por microempresas, que representam 56% dos respondentes, microempreendedores individuais (22,5%) e empresas de pequeno porte (21,5%).

O setor de serviços concentra 53% dos participantes, seguido pelo comércio, com 29%. Regionalmente, 55% das respostas vieram do Sudeste e 22%, do Sul. Nordeste, Centro-Oeste e Norte responderam por 14%, 6% e 3%, respectivamente.

O levantamento tem participantes dos 26 estados e do Distrito Federal. Essa abrangência, por si só, não assegura representatividade estatística nacional. O material divulgado não apresenta detalhes sobre seleção dos entrevistados, período de coleta, margem de erro ou ponderação das respostas.

Com informações do Sebrae.