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Espanha punida por cânticos contra o Egito: como funciona a sanção

Por Bruno Favoretto · 16/10/2026

Torcida Espanha

Decisão prevê restrição de público no próximo amistoso em casa, mas permite alternativa com ações contra a discriminação

A punição à federação espanhola por cânticos islamofóbicos no amistoso contra o Egito ganhou repercussão nesta sexta-feira (16), após a confirmação da sanção na instância de recurso da Fifa. O episódio ocorreu em 31 de março, no estádio do Espanyol, durante o empate sem gols entre as seleções.

É importante separar as datas: o Comitê Disciplinar decidiu o caso em 4 de agosto. A divulgação de outubro sucede a contestação da federação espanhola e não significa que a decisão inicial tenha sido tomada agora.

O que muda para o público

A decisão estabelece multa de US$ 20 mil e fechamento de pelo menos 15% dos lugares disponíveis no próximo amistoso da seleção masculina principal em casa.

Existe uma alternativa: mediante aprovação da Fifa, a federação poderá destinar esses assentos a grupos comunitários, famílias, estudantes e organizações contra a discriminação. O plano deverá incluir ações visíveis de conscientização e ser apresentado com antecedência mínima de 15 dias.

O documento também determina que o valor da multa seja investido em um plano contra a discriminação, aprovado pela entidade. Se a federação não desenvolver e implementar o projeto nas condições estabelecidas, deverá pagar o montante à Fifa.

Por que o cântico foi considerado discriminatório

Na defesa apresentada à Fifa, a federação argumentou que a palavra “muçulmano” não era ofensiva por si mesma. O comitê rejeitou essa interpretação: uma expressão pode ser discriminatória quando a identidade religiosa é utilizada como provocação ou forma de inferiorizar um grupo. O contexto do cântico foi determinante para a conclusão.

Lamine Yamal, que é muçulmano, condenou publicamente o comportamento dos torcedores. A federação espanhola anunciou que pretende recorrer ao Tribunal Arbitral do Esporte, segundo a Reuters. O anúncio de recurso, porém, não equivale à anulação da punição.