ESPORTE
COM VALOR
← Página inicial

Os placares que mais acontecem no futebol: uma análise de 12 mil jogos

Por Bruno Favoretto · 11/08/2026

Os placares que mais acontecem no futebol: uma análise de 12 mil jogos

Os placares de 1 a 1, 1 a 0 e 2 a 1 estão entre os mais frequentes do futebol. Mas será que essa percepção se confirma nos dados?

Para responder a essa pergunta, o Esporte com Valor analisou uma base própria com mais de 12.000 partidas de futebol, coletadas e organizadas ao longo de aproximadamente cinco anos — de 2022 até os dias atuais.

O levantamento permite observar quais foram os placares finais mais recorrentes e qual foi a frequência de cada resultado dentro da amostra.

Oresultado traz algumas confirmações interessantes — além de mostrar como a frequência histórica pode ser transformada em uma probabilidade implícita e em uma odd justa.

Os 10 placares mais frequentes

A liderança ficou com o 1 a 1, que apareceu 1.449 vezes na base analisada.

Na sequência aparecem 1 a 0, com 1.319 ocorrências, e 2 a 1, com 1.078.

Veja o ranking completo:

PosiçãoPlacarOcorrênciasFrequênciaOdd justa*
1º1 a 11.44911,52%8,68
2º1 a 01.31910,49%9,53
3º2 a 11.0788,57%11,66
4º2 a 09477,53%13,28
5º0 a 09437,50%13,33
6º0 a 19307,40%13,52
7º1 a 28176,50%15,39
8º2 a 26244,96%20,15
9º0 a 25254,18%23,95
10º3 a 15134,08%24,51

*A odd justa é calculada a partir da frequência histórica: 1 ÷ probabilidade. Ela não considera a margem de lucro das casas de apostas.

O 1 a 1 foi o placar mais frequente

Na amostra analisada, o resultado 1 a 1 apareceu em 1.449 das 12.574 partidas.

Isso representa 11,52% de todos os jogos.

Em termos puramente históricos, significa que aproximadamente uma em cada 8,7 partidas da base terminou em 1 a 1.

A partir dessa frequência, podemos calcular uma probabilidade histórica de 11,52% e uma odd justa aproximada de:

1 ÷ 0,1152 = 8,68

É importante entender que essa é uma odd justa baseada exclusivamente na frequência observada na amostra.

Não significa que uma odd de 8,68 seja necessariamente uma cotação disponível no mercado, nem que uma aposta nesse resultado tenha valor esperado positivo.

O 1 a 0 aparece logo atrás

O segundo placar mais frequente foi o 1 a 0, com 1.319 ocorrências.

Isso representa 10,49% da amostra.

A frequência histórica corresponde a uma odd justa de aproximadamente 9,53.

O resultado também mostra uma característica conhecida do futebol: placares com poucos gols ocupam grande espaço entre os resultados mais comuns.

Depois do 1 a 0 aparecem o 2 a 1, o 2 a 0 e o 0 a 0.

Os cinco primeiros resultados concentram uma parcela importante dos jogos

Somando os cinco placares mais frequentes:

  • 1 a 1 — 11,52%
  • 1 a 0 — 10,49%
  • 2 a 1 — 8,57%
  • 2 a 0 — 7,53%
  • 0 a 0 — 7,50%

O conjunto representa aproximadamente 45,61% das partidas analisadas.

Ou seja, quase metade dos jogos da base terminou em apenas cinco placares diferentes.

Isso ajuda a visualizar como os resultados de partidas de futebol não estão distribuídos de maneira uniforme.

Placares com muitos gols, como 4 a 3, 5 a 2 ou 4 a 4, são possíveis, mas aparecem com frequência muito menor.

E os placares do visitante?

A lista também mostra uma diferença interessante entre os resultados envolvendo mandante e visitante.

O 0 a 1 aparece em sexto lugar, com 930 ocorrências e 7,40% da amostra.

Já o 1 a 2 aparece em sétimo, com 817 ocorrências.

O 0 a 2 ocupa a nona posição, com 525 ocorrências.

Isso não significa que o mando de campo seja irrelevante. Pelo contrário: o desempenho do mandante é uma das variáveis que podem influenciar a distribuição dos placares.

A tabela, porém, apresenta apenas o comportamento agregado da amostra.

O que significa a “odd justa”?

A coluna de odd não representa uma cotação oferecida por uma casa de apostas.

Ela é simplesmente a transformação matemática da frequência observada em uma odd decimal.

A fórmula é:

Odd = 1 ÷ probabilidade

Por exemplo, o placar 1 a 1 ocorreu em 11,52% dos jogos.

Transformando essa frequência em probabilidade decimal:

0,1152

Então:

1 ÷ 0,1152 ≈ 8,68

A odd de 8,68 representa, portanto, uma referência matemática baseada naquela frequência histórica.

Importante: odd justa não é previsão

Esse ponto merece atenção.

Se determinado placar ocorreu em 11,52% dos jogos de uma base histórica, isso não significa que ele tenha exatamente 11,52% de probabilidade de acontecer em uma partida específica.

Uma partida de futebol não é igual à outra.

Força das equipes, mando de campo, desfalques, competição, momento das equipes, expectativa de gols e diversas outras variáveis podem alterar significativamente a distribuição dos resultados.

Portanto, os números apresentados aqui descrevem o comportamento histórico da amostra, e não uma previsão para o próximo jogo.

De onde vieram esses dados?

Esta é uma parte importante deste levantamento.

Os números apresentados neste artigo NÃO foram copiados de uma tabela encontrada na internet.

Eles foram obtidos a partir de uma base própria do Esporte com Valor, construída e organizada pelo autor ao longo de aproximadamente cinco anos.

A base utilizada para este levantamento contém 12.574 partidas.

Esse tipo de levantamento faz parte da proposta editorial do Esporte com Valor: produzir não apenas notícias e conteúdos explicativos, mas também análises baseadas em dados próprios.

A ideia é transformar a base de partidas em estudos que possam ajudar a entender padrões, frequências e comportamentos observados no futebol.

Todos os artigos gerados com base nesses dados serão publicados no Laboratório do Esporte.

Por que uma base própria é importante?

Existe uma diferença entre simplesmente reproduzir uma estatística e construir uma análise a partir de uma base de dados.

Neste caso, o levantamento permite que novas perguntas sejam feitas sobre os mesmos jogos.

Por exemplo:

  • Quais são os placares mais frequentes no primeiro tempo?
  • Quais placares aparecem mais quando o mandante é favorito?
  • Como os resultados mudam entre diferentes campeonatos?
  • Qual é a frequência de 0 a 0?
  • Quantos jogos terminam com pelo menos três gols?
  • Qual é a distribuição de gols por partida?
  • Como a frequência dos placares muda entre mandantes e visitantes?
  • Qual é a diferença entre as frequências observadas e as probabilidades estimadas por um modelo de Poisson?

A mesma base pode, portanto, gerar diversos estudos.

Uma ressalva importante sobre a amostra

Os 12.574 jogos analisados fazem parte de uma base construída originalmente para o acompanhamento de mercados de apostas esportivas, incluindo entradas em Over 1,5 gols, Over 0,5 gol no primeiro tempo e vitória do mandante, entre outros mercados.

Por esse motivo, a amostra não deve ser interpretada como uma seleção aleatória de todas as partidas de futebol disputadas no período.

Essa característica pode influenciar a distribuição dos placares encontrada no levantamento.

Por exemplo, uma base construída para acompanhar partidas selecionadas por determinados critérios de entrada pode apresentar uma frequência de gols e de resultados diferente daquela observada no conjunto de todos os jogos de uma competição ou de um período.

Isso significa que os números apresentados neste estudo descrevem, antes de tudo, o comportamento dos 12.574 jogos que compõem esta base específica.

Por que isso importa?

Imagine duas bases:

  • Base A: todas as partidas de um campeonato;
  • Base B: partidas selecionadas para estratégias envolvendo Over 1,5, Over 0,5 HT e vitória do mandante.

Mesmo que as duas tenham milhares de jogos, não necessariamente apresentarão a mesma distribuição de placares.

A segunda base pode, por exemplo, ter uma concentração maior de partidas com determinadas características de gols ou de desempenho do mandante justamente porque esses critérios fizeram parte da seleção dos jogos.

Portanto, seria incorreto afirmar que os percentuais encontrados representam necessariamente a frequência dos placares em todo o futebol mundial.

Portanto:

Entre os 12.574 jogos presentes na base analisada pelo Esporte com Valor, estes foram os placares mais frequentes.

O que este levantamento pode — e não pode — mostrar?

A base permite estudar com bastante profundidade o comportamento histórico da própria amostra.

É possível analisar, por exemplo, quais placares apareceram com maior frequência, como os resultados se distribuíram e quais diferenças surgem entre determinados grupos de partidas.

Por outro lado, os dados não permitem, isoladamente, concluir que essa mesma distribuição se aplica a todas as partidas de futebol.

Para fazer uma afirmação mais ampla, seria necessário utilizar uma base representativa do universo de partidas analisado ou comparar os resultados com uma amostra independente.

Essa limitação não diminui o valor do levantamento.

O objetivo do Esporte com Valor é justamente apresentar os dados, explicar como eles foram obtidos e deixar claro até onde suas conclusões podem chegar.

Frequência histórica não significa vantagem

Esse talvez seja o principal cuidado ao interpretar os números.

O fato de o 1 a 1 ter sido o placar mais frequente não significa automaticamente que ele seja uma oportunidade de aposta.

Para avaliar se existe vantagem matemática, seria necessário comparar a probabilidade estimada com a cotação disponível no mercado, além de considerar possíveis diferenças entre a amostra histórica e o evento analisado.

Em outras palavras:

Ser o placar mais frequente não significa ser o melhor investimento.

Frequência e valor esperado são conceitos diferentes.

E onde entra o modelo de Poisson?

A distribuição dos placares é também uma das portas de entrada para modelos estatísticos aplicados ao futebol.

Um dos modelos mais conhecidos é o Poisson, utilizado para estimar a probabilidade de uma equipe marcar determinado número de gols.

A partir de uma expectativa de gols para cada equipe, é possível estimar probabilidades para diferentes placares:

0 a 0, 1 a 0, 1 a 1, 2 a 0, 2 a 1, 2 a 2…

O modelo teórico pode então ser comparado com aquilo que realmente aconteceu na base histórica.

Essa comparação é particularmente interessante porque permite sair de uma simples lista de resultados e entrar em uma análise mais profunda sobre probabilidade, distribuição de gols e modelagem estatística no futebol.

O que os dados mostram?

Na amostra de 12.574 partidas, os resultados mais frequentes foram:

1 a 1, 1 a 0, 2 a 1, 2 a 0 e 0 a 0.

O 1 a 1 liderou com 11,52% das partidas.

Mas talvez o principal resultado deste levantamento não esteja em descobrir qual é o placar mais comum.

O mais interessante é poder utilizar uma base própria para fazer perguntas cada vez mais específicas sobre o futebol.

A partir de agora, o Esporte com Valor começa a explorar esse caminho: menos achismo, mais dados próprios.

E este é apenas o primeiro levantamento!


Metodologia

Base analisada: 12.574 partidas de futebol.

Período de coleta: aproximadamente cinco anos (2022 a 2026).

Fonte: base de dados própria, construída e organizada pelo autor.

Frequência: número de ocorrências de cada placar dividido pelo total de partidas analisadas.

Odd justa: inverso da probabilidade histórica observada, sem inclusão de margem de lucro (vig/juice).

Os resultados representam exclusivamente o comportamento histórico da base analisada e não constituem previsão ou garantia de resultados futuros.