Os jornais belgas ficaram exultantes com a goleada da Bélgica por 4 a 1 contra os EUA, eliminando os donos da casa da Copa do Mundo.
Vários jornais analisados fizeram questão de desdenhar de Donald Trump. O presidente dos EUA interferiu junto à Fifa para anular a suspensão do atacante Balogun, expulso na última partida contra a Bósnia e titular no jogo de hoje.
O que os jornais belgas disseram
O jornal esportivo DH Les Sports foi quem fez a crítica mais contudente ao abordar a vitória belga diante da polêmica envolvendo Balogun e Donald Trump. O jornal também fez um trocadilho envolvendo o nome de Charles De Ketelaere, autor de dois gols na partida de hoje.
Eles tinham o presidente Trump, nós tínhamos o rei Charles. A Bélgica contornou facilmente os Estados Unidos graças a uma atuação soberba de Charles De Ketelaere. DH Les Sports
Nem sempre são os pequenos que se dão mal. Donald Trump terá aprendido a lição, mesmo que não estejamos convencidos de que ele se lembrará dela. Esta partida entre EUA e Bélgica terá sido, em última análise, uma história de futebol, deixando a política e os lobistas da Fifa num papel secundário que nunca deveriam ter desempenhado. DH Les Sports
Quem mais cutucou Trump
Quem você vai chamar agora, Donald? Nieuwsblad
A intervenção de Donald Trump provou ser inútil: os Diabos Vermelhos eliminaram os EUA sem qualquer dificuldade. La Libre
Com direito a dança para Donald Trump: Diabos Vermelhos dominam e silenciam os EUA por 4 a 1. Het Laatse Nieuws
Bye, bye, EUA! Bélgica faz justiça com as próprias mãos e atropelam seleção anfritriã. O que será que Donald Trump pensou hoje à noite? Os EUA foram impiedosamente eliminados, apesar daquele ligação telefônica tão comentada… Sporza
Os Diabos Vermelhos se classificam dando a última palavra contra Trump e a Fifa Sudinfo
Como foi a goleada da Bélgica contra os EUA
A Bélgica venceu os Estados Unidos por 4 a 1 hoje, em Seattle, pelas oitavas de final da Copa do Mundo, e avançou para as quartas de final. Após as quedas de Canadá e México, os EUA são os últimos anfitriões fora do torneio.
De Ketelaere, duas vezes, Vanaken e Lukaku fizeram os gols que despacharam os donos da casa. Tillman balançou as redes para os EUA em cobrança de falta.
A Bélgica foi dominante. Os visitantes pressionaram muito a defesa rival e não deram muitos espaços aos EUA — principalmente nos primeiros 20 minutos de jogo.
Do outro lado, a noite acabou bastante amarga para os norte-americanos, que tiveram Balogun em campo. Liberado pela Fifa após ter expulsão anulada em meio a pedidos do presidente Donald Trump, o atacante teve uma atuação discreta. O atacante foi engolido pelo zagueiro Ngoy na maioria das disputas, com exceção de um chute na reta final da partida, defendido por Courtois.
Craque dos EUA, Pulisic sentiu lesão no segundo tempo e precisou deixar a partida. Para piorar, o terceiro gol dos belgas saiu após vacilo do goleiro Freese, que perdeu a bola fora da área e viu Vanaken bater para o gol vazio.
A Bélgica enfrenta a Espanha nas quartas de final. O duelo será no sábado, em Los Angeles, às 16h (de Brasília).
Balogun nos holofotes
A partida foi marcada pela controversa presença de Balogun, titular dos EUA. O jogador americano havia sido expulso no último jogo de sua seleção, contra a Bósnia, e deveria cumprir suspensão automática, mas teve a punição anulada pela Fifa após interferência de Donald Trump, presidente dos EUA, que ligou para Gianni Infantino, presidente da Fifa, para tratar do assunto.
O episódio deixou os belgas mordidos. A federação local chegou a fazer um pedido para que o atleta continuasse suspenso, mas o recurso foi recusado pela Fifa. Além disso, Rudi Garcia, técnico da Bélgica, ficou irritado com a anulação e chegou a perguntar se isso não era brincadeira de 1º de abril.
O árbitro Adham Makhadmeh, da Jordânia, foi o escolhido para apitar a partida de hoje. Diante da polêmica, todo mundo ficou de olho na atuação do jordaniano, que não precisou se envolver em grandes polêmicas.
Repeteco nas oitavas de final
Estados Unidos e Bélgica já se enfrentaram em uma fase oitavas de final em Copas. Foi na edição de 2014, realizada no Brasil, com a seleção europeia vencendo na prorrogação por 2 a 1, na Arena Fonte Nova, em Salvador (BA).
As seleções já haviam se enfrentado antes disto em mundiais. Em 1930, na fase de grupos, os Estados Unidos venceram a partida por 3 a 0.
Lances importantes
Castagne quase abriu o placar para a Bélgica com 40 segundos de partida. O lateral pegou sobra de fora da área e bateu colocado buscando o ângulo de Freese, que foi buscar em uma defesa de mão trocada e evitou o gol belga.
Aos 7 minutos, a Bélgica perdeu uma oportunidade inacreditável. Castagne cruzou pela direita e Tielemans chegou na pequena de cara, mas furou na hora da finalização.
Um minuto depois de Tielemans perder o gol na cara, De Ketelaere abriu o placar para a Bélgica. A zaga americana afastou mal um cruzamento, Raskin ficou com a bola e só rolou para o meia tocar para o fundo do gol.
Onana precisou ser substituído aos 20 minutos de partida. O volante belga machucou o joelho e não conseguiu prosseguir na partida — Vanaken entrou em seu lugar.
Após um início muito intenso, a Bélgica passou a controlar a partida de um jeito diferente. Os europeus trocaram muitos passes, mas em um ritmo mais lento e sem perder a posse, botando os americanos na roda.
Tillman empatou para os Estados Unidos aos 30 minutos do primeiro tempo em gol de falta, no primeiro lance de perigo dos americanos. No lance que originou o gol, Balogun fez o pivô na frente da área, foi tocado por trás por Mechele e caiu. Na cobrança, Tillman bateu com desvio na barreira que matou Courtois.
Tillman comemora gol de falta
A Bélgica não abaixou a cabeça e chegou ao gol de empate aos 32 minutos, novamente com De Ketelaere. Trossard avançou pela esquerda, levou até a linha de fundo e, mesmo marcado por dois defensores, cruzou na área para o atacante ganhar disputa de cabeça e fazer o 2 a 1.
Com a derrota parcial, o técnico Mauricio Pochettino fez apenas uma alteração no intervalo. O argentino colocou o meia Giovanni Reyna no lugar do lateral Dest.
Vanaken ampliou a vantagem dos belgas para 3 a 1 após uma trapalhada do goleiro Freese. A zaga belga mandou um chutão pra frente, De Ketelaere foi para a bola, Freese se adiantou mas afastar a bola e matou no peito, mas chutou o chão na hora de dar o passe o goleiro, recolocando o atacante belga na jogada. Resultado? A bola sobrou para Vanaken bater do meio da rua para o gol vazio.
Aos 28 minutos do segundo tempo, Balogun avançou em velocidade e poderia levar perigo pela direita. No entanto, Ngoy chegou na cobertura e antecipou o atacante com um carrinho perfeito. O lance ilustrou muito bem o que foi o confronto entre os dois, com o belga levando a melhor.
Nos acréscimos, Lukaku fez o jogo virar goleada. Após erro na saída dos Estados Unidos pela direita, o centroavante ficou com a bola, trouxe para o meio da área e bateu colocado.
Dessa forma, os americanos continuaram seguindo… para casa. A seleção se juntou a canadenses e mexicanos, outros anfitriões da Copa, entre eliminados nas oitavas de final.
Ficha técnica
EUA 1×4 Bélgica
Campeonato: Copa do Mundo 2026 (oitavas de final)
Data: 6/7/2026
Local: Lumen Field, Seattle (EUA)
Hora: 21h00 (horário de Brasília)
Árbitro: Adham Makhadmeh (Jordânia)
Cartões amarelos: McKennie e Tillman (EUA)
Gols: De Ketelaere (BEL), 8′ do 1º tempo (0-1); Tillman (EUA), 30′ do 1º tempo (1-1); De Ketelaere (BEL), 32′ do 1º tempo (2-1); Vanaken (BEL), 11′ do 2º tempo (3-1); Lukaku (BEL), 48′ do 2º tempo (1-4)
EUA: Freese; Dest (Reyna), Ream, Richard, Robinson (Arfsten); Adams (Pepi), McKennie, Tillman, Freeman; Pulisic (Berhalter), Balogun (Wright). Técnico: Mauricio Pochettino.
Bélgica: Courtois; Ngoy, Mechele, Castagne, De Cuyper; Raskin (Witsel), Onana (Vanaken), De Ketelaere (Lukaku), Tielemans; Trossard (Saelemaekers), Lukebakio (Doku). Técnico: Rudi Garcia.