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Ex-chefe da Ferrari relembra trapaças de Schumacher: ‘Custaram caro’

Por Bruno Favoretto · 13/04/2026

Ex-chefe da Ferrari relembra trapaças de Schumacher: ‘Custaram caro’

Chefe da Ferrari de 1993 a 2007, Jean Todt relembrou polêmicas ennvolvendo Michael Schumacher, piloto que conquistou cinco títulos consecutivos de Fórmula 1 em parceria com o diretor francês no início dos anos 2000.

Em entrevista ao podcast High Performance, Todt conta que Michael “era um cara excelente”, mas cometeu dois erros em sua carreira que “custaram muito caro”. O ex-chefe da Ferrari se referiu a episódios nas temporadas 1997 e 2006.

O que ele disse

Todt se refere a dois momentos em particular. No incidente mais grave, em 1997, Schumacher corria pela Ferrari e disputava o campeonato com Jacques Villeneuve, da Williams. Na última corrida do ano, o piloto alemão bateu seu carro deliberadamente no piloto canadense e foi desclassificado do campeonato. Já em 2006, em Monte Carlo, o alemão parou seu carro de propósito na pista durante a classificação para atrapalhar os outros pilotos.

“Michael bateu nele [Villeneuve] de propósito e foi feio. Schumacher era um cara fantástico, mas toda vez que ele perdeu o controle, ele pagou um preço muito caro por isso. Isso lhe custou mais de um campeonato. Assim como em 2006, em Monte Carlo, quando ele parou seu carro de propósito, o que custou sua posição no grid” – Jean Todt ao podcast High Performance

Em 1997, Schumacher era líder da temporada, enquanto Villeneuve era o vice. A direção de prova considerou o alemão culpado e o puniu com a desclassificação do campeonato. O canadense acabou terminando a prova em terceiro lugar e sendo campeão com 81 pontos, contra os 78 pontos do desclassificado Schumacher.

“Foi apenas uma emoção. É por isso que quando você julga alguém em ação, é preciso ser muito tolerante. É fácil dizer ‘você deveria ter feito isso ou aquilo'” – Jean Todt

Em 2006, o piloto alemão voltou a tentar “trapacear” durante a classificação do GP de Mônaco, em Monte Carlo. Na ocasião, o ferrarista Schumacher disputava o campeonato com Fernando Alonso, da Renault, que havia vencido três das seis primeiras corridas do ano e liderava a Fórmula 1 à frente de Schumi, que havia faturado os GPs de San Marino e Europa.

O piloto alemão estacionou seu carro em uma curva a centímetros de um guard rail, o que motivou os fiscais de prova acionarem a bandeira amarela a poucos segundos do fim da classificação. A ação impediu que os pilotos completassem a volta, incluindo Alonso.

Schumacher acabou sendo punido pela direção de prova, largando em último. O alemão acabou ficando em 4º lugar na corrida e vendo Alonso subir mais uma vez ao lugar mais alto do pódio. Ao fim da temporada, Alonso acabou sendo campeão com 134 pontos, 13 à frente do vice Schumacher.

Todt sugere que, se nao houvesse a punição em Mônaco, Schumi talvez tivesse tido melhores condições de brigar pelo título. O alemão chegou à penútima corrido do ano, no Japão, empatado em pontos com o espanhol, mas teve que abandonar a corrida por problemas no motor.

Michael Schumacher correu na Fórmula 1 por dezenove temporadas, nas equipes Jordan, Benetton, Ferrari e Mercedes. O ex-piloto tem 308 GPs disputados na carreira e conquistou 7 títulos (cinco pela Ferrari e dois pela Benetton).

Todt esteve ao lado de Schumi a maior parte de sua carreira e se considera um amigo pessoal do ex-piloto alemão, que sofreu um grave acidente de esqui em dezembro de 2013 e segue em reabilitação em sua casa na Suíça.