As odds são as cotações que as casas de apostas esportivas oferecem para um determinado resultado e representam duas coisas ao mesmo tempo:
1 – Quanto um apostador pode ganhar ao jogar naquele evento
Exemplo: a casa oferece uma odd 5,00 para o São Paulo vencer o Palmeiras fora de casa na semifinal do Paulistão (essa é a cotação da Bet.365 no momento desta publicação).
Significa que esse apostador ganhará R$ 5,00 para cada R$ 1,00 apostado em caso de vitória do São Paulo.
2 – Qual a probalidade implícita daquele evento acontecer
No caso do nosso exemplo, a probalidade de o São Paulo vencer o Palmeiras é de 20% de acordo com a Bet.365.
No caso, o São Paulo é um “azarão” para as casas de aposta. Afinal, quanto menor a odd, maior a probalidade implícita. Quanto maior a odd, menor a probalidade – o que é o caso do Tricolor nessa semifinal de domingo.
Os cálculos das casas de apostas
As casas de apostas calculam as odds a partir de três pilares principais:
- Probalidade real
- Overround
- Ajuste por fluxo de dinheiro
PROBALIDADE REAL
O cálculo para qualquer evento esportivo começa com a análise da probalidade real de determinado evento acontecer, uma previsão que é feita com modelos matemáticos.
As casas usam modelos estatísticos como Poisson, regressão linear, xG e machine learning.
Bancos de dados massivos são usados para checar estatísticas como:
- Quantas vezes determinado time vence jogando em casa
- Quantos gols a equipe costuma fazer
- Quantos gols sofre
- Qual a porcentagem de posse de bola
- Número de finalizações
- Outros dados quantitativos
As casas também avaliam probalidades sobre as escalações das equipes, e leva em consideração se o time A disputa um torneio maior na partida seguinte, podendo poupar jogadores.
Lesões e ausências de atletas também pesam no cálculo das odds: o joelho do Neymar já melhorou? Se ele jogar de titular a odd tem um valor X, se ele ficar na reserva tem valor Y.
Outro fator que pode alterar a odd é o clima da partida: um dia de jogo com muita chuva, gramado pesado e poças pode afetar o rendimento de um time mais técnico que prioriza o toque de bola em vez de chutões e cruzamentos na área.
OVERROUND
A casa precisa lucrar com as apostas, então ela não publica a “odd justa” (fair odd) que seus modelos de previsão ofereceram.
Nesse caso, ela adiciona uma margem chamada de overround, vig, vigorish ou juice.
Suponha que um jogo tenha as seguintes probalidades reais:
Time A vence: 50% (odd justa é 2,00)
Empate: 30% (odd justa é 3,33)
Time B vence: 20% (odd justa 5,00)
A soma das probalidades é de 100%.
Mas a casa de aposta ajusta as odds para:
Time A vence: 1,90 (52,63%)
Empate: 3,20 (31,25%)
Time B vence: 4,50 (22,22%)
Nesse caso, a soma das probalidades agora é de 106%.
Os 6% extras são resultado da margem da casa de aposta. Em mercados grandes, como a Premier League, as casas trabalham com uma margem de 3% a 6%.
Em liga menores, como campeonatos na Etiópia, a margem pode ir de 10% a 20%.
AJUSTE POR FLUXO
A partir do momento que uma cotação é publicada na casa de aposta, as odds podem variar de acordo com o fluxo de apostadores colocando dinheiro nos eventos.
Nesse caso, as casas de apostas passam a fazer controle de exposição e gestão de risco, variando as odds de acordo com a “balança” que é movida pelo “peso” do dinheiro dos apostadores.
Se muita gente começa a apostar do mesmo lado (Time A vence), a odd para esse evento cai, como se o dinheiro depositado ali pesasse mais e empurrasse esse lado da balança para baixo, enquanto a odd do outro lado irá subir (Time B vence).
Isso não significa que a probalidade real mudou, apenas que a casa está equilibrando sua exposição ao risco.
Apostando como profissional
Encontrar odds acima da probalidade real é o grande segredo dos apostadores profisssionais.
Ou seja, encontrar aquele jogo em que você calcula que o time tem, por exemplo, 60% de chance de vencer (a odd justa para esse caso seria 1,66), mas o mercado está oferecendo 1,80 para essa cotação.
Existe valor nessa aposta, pois a casa está oferecendo uma cotação maior do que a probalidade “real” que você acredita.
Essa odd de valor é chamada de value bet, enquanto essa diferença entre probalidades, real e implícita, é chamado de edge.
O papel das sharp book
Casas de aposta como Pinnacle e Betfair funcionam quase como “formadoras de preço” no mundo das apostas esportivas.
São casas de apostas que aceitam apostadores profissionais e não limitam seus vencedores facilmente (sim, há casas famosas no Brasil, com grande volume de apostadores que limitam os vencedores consistentes – a laranjinha, a verdinha e até a azulzinha vai impedir você de ter lucros altos se ganhar consistentemente…)
O termo vem de “sharp bettor”, apostadores altamente analíticos, que apostam com modelos matemáticos, leitura de mercado e focados em edge.
Essas casas trabalharam com margens menores e ajustam as odds com base no “dinheiro inteligente” dos apostadores.
Casas menores copiam ou ajustam suas odds baseadas nas odds oferecidas por elas.
A métrica que mede se você conseguiu uma odd melhor do que a oferecida antes do fechamento do mercado é a Closing Line Value (CLV), e é um dos principais indicadores de edge real.
Se você bate o fechamento da Pinnacle com consistência, você tem vantagem matemática na jogada.
Calculando o CLV nas apostas
O CLV é calculado dividindo a Odd que você pegou pela Odd de fechamento, e calculando -1 em seguida.
A odd de fechamento é a última disponível antes do início do evento. Ela é considerada a mais eficiente pois já:
- Incorporou todo o volume de apostas
- Refletiu informações públicas sobre lesões, escalações, clima do dia da partida
- Foi “corrigida” ou desbalanceada por apostadores
Exemplo: Peguei uma odd 1,90 e a odd de fechamento foi 1,75.
Cálculo: 1,90 dividido por 1,75 – 1 = 8,75% de CLV positivo.
Quem tem CLV positivo está batendo o mercado e tem probabilidade de ser lucrativo com apostas no longo prazo.
Agora imagine o contrário: você pegou a odd a 1,80 e ela fechou a 1,90. Nesse caso, o CLV é negativo, e irá trazer prejuízo no longo prazo.
Isso indica que você entrou cedo demais na aposta, sua leitura estava errada ou o mercado tinha informações melhores.
Quem tem um CLV de +1% a +2% é um bom apostador. Quem está entre 3% e 5% tem nível profissional.